Jericoacoara: no escurinho era melhor

Com o novo ano começando, é hora de arregaçar as mangas…para alguns, né? Para outros ainda é tempo de férias, e como dizem….o ano mesmo só começa depois do Carnaval. As nossas férias já passaram e como sabem fomos nos encantar com as praias do Ceará, vocês podem conferir a listinha aqui. A mais famosa delas é  com certeza a vila de Jericoacoara. Não sei se foi coincidência, mas ano passado tivemos inúmeros conhecidos que estiveram por lá, vocês também devem ter ouvido falar bastante nela nos últimos tempos.

Muitas mudanças em Jericoacoara

Estivemos em Jeri juntos pela primeira vez em 2008, o Elysio já conhecia e estava louco para me levar lá. Ele conheceu quando ainda era criança, a vila sequer tinha energia elétrica direito e contava apenas com uma padaria que vendia um tal “pão de queijo”, que nada tem a ver com aquele mineiro, era um “queijo quente” digamos…rsrs. Naquela época Jericoacoara oferecia apenas poucas pousadas, provavelmente umas 2 ou 3.

Em 2008, tudo estava um tanto diferente: novas pousadas, alguns restaurantes, pequenos negócios, artistas, artesãos, e já era possível perceber que a população de estrangeiros crescia a cada ano.

Durante as nossa ida, em dezembro último, ficamos muito surpresos com a dimensão que tudo tomou. Muitas pousadas, hotéis…muitos hotéis! hotéis 5 estrelas! e outros tantos em construção. Restaurantes…nossa…o que tem de opção hoje não dá nem para descrever! Tem para todos os gostos e bolsos. A antiga “vila” está aos poucos desaparecendo… Quanto à badalação, só consegui pensar em Búzios para fazer uma comparação, mas nem sei se é muito adequada… rsrs

Isso tudo seria muito bom se a vila de Jericoacoara não estivesse situada dentro de um Parque Nacional, o qual carrega o mesmo nome. O que percebemos é que a cada ano são abertas novas brechas que trazem cada vez mais turistas, cada vez mais carros. Não há muito controle sobre quem entra, como entra, etc. Qualquer um pode adentrar o parque com o próprio carro, sem conhecimento algum do caminho, por onde é permitido passar… e para ajudar nisso agora tem um grande estacionamento dentro da vila, vigiado dia e noite, para esses aventureiros. Existe a possibilidade de contratar um guia experiente para te acompanhar, mas nem todos querem pagar, como nós bem sabemos. De uma forma ou de outra, o que é espantoso é a quantidade de veículos motorizados que vão e vêm o dia todo.

A situação toda nos pareceu bastante grave. Claro que não sabemos detalhes, mas só de ver a gente percebe, né? Ainda mais acompanhando a evolução.

Quem já esteve em Jericoacoara sabe que o ponto alto é a famosa Duna do Pôr-do-Sol… pois é, mas daqui a algum tempo não haverá duna nenhuma… As dunas são quase seres vivos, nascem, crescem e morrem, isso de forma natural… Mas é óbvio que o processo todo foi, e muito, acelerado devido à peregrinação diária dos “adoradores do sol”. Te garanto que o pôr-do-sol é tão lindo quanto se assitido e fotografado da areia. Aliás, por que não parar de tirar tanta foto e tanto selfie e ir curtir o espetáculo lá de dentro da água quentinha?!

Pôr-do-sol em Jeri

Algo que incomoda bastante é o assédio dos bugueiros. Você está caminhando tranquilamente em direção à praia e a cada passo um bugueiro te aborda tentando, a todo custo, que você faça um passeio. Já nem é mais possível distinguir em quem da para confiar. Antigamente, havia apenas uma Associação que oferecia passeios, agora existem muitas agências de turismo, fora os autônomos. E não é só pelo assédio! vocês sabem que buggy não tem nada de ecológico, né? gasta uma gasosa daquelas… E, diariamente, o pessoal enche o tanque e sai por aquelas praias, dunas, lagoas…

Esse turismo descontrolado faz uma pressão gigantesca em todo o meio. Mais peixes e mariscos precisam ser pescados, mais lixo é produzido, mais água e alimentos são consumidos e o que é oferecido por quem vai é muito pouco. Sem contar que os estrangeiros estão tomando conta do local com hotéis, restaurantes e outros serviços.

Claro que, assim, todo o movimento de turistas trouxe muitos benefícios econômicos e de infraestrutura para a população local, mas é preciso um controle mais efetivo pelos órgãos ambentais, que esperamos sejam encaminhados de forma mais rápida. Apesar de o que já está feito não ter mais jeito, é possível frear esse processo. Ouvimos dizer que a forma de administrar o parque está em fase de mudança, com a elaboração de um Plano de Manejo, provavelmente se iniciará em breve a cobrança de taxas e ingressos para frequentar o local, como é feito em Fernando de Noronha.

Tomara que as coisas se acertem por lá! Vamos tentar ajudar também com as pequenas ações de sempre, né? Por um turismo mais consciente!

 

 

 

 

 

 

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